sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um pouco do Bispo Scilla Franco.

Homens "(Dos quais o mundo não era digno), ..." 
Hebreus 11. 38a.

Bispo Scilla Franco


Estou relendo o livro Minha prece, uma coletânea de textos indígenas e missionários do Bispo Scilla Franco. Reler o texto me traz à memória os nossos encontros particulares, que tínhamos na sala (quando estava bem) e no quarto (quando ele estava deitado, doente) de sua casa em Birigui,  SP; enquanto a sua querida esposa Da. Concília (Vó Concília para minhas filhas), estava na cozinha a fazer um delicioso almoço, com a ajuda da filha Priscila. As conversas que tínhamos eram de muita profundidade, não gastávamos tempo jogando conversa fora. Mexíamos com questões sociológicas, teológicas, antropológicas e existenciais. Considero o Bispo Scilla Franco um pai para mim. Um pai completo, que sabia me ensinar as coisas da vida e da fé e me dar a bronca devida quando eu não fazia o trabalho da maneira melhor. Uma vez, ele me devolveu o Plano de Ação Pastoral da Igreja Metodista em Penápolis, que eu havia elaborado, pois eu era a pastora da igreja e ele o nosso Superintendente Distrital; disse: "Isso é coisa que se apresente, Railda?  Você fez isso nas coxas. Faça de novo." Caprichei tanto depois que penso que foi até hoje, o meu melhor Plano de Ação Pastoral. A maioria de nossos diálogos acabava vertendo do conhecimento humano para a experiência de vida. Ele disse, em seu Discurso de paraninfo dos  formandos de 1978 da Faculdade de Teologia, publicado no Expositor Cristão, 2ª quinzena de 1979, pg 112 do livro Minha prece, que para ele "experiência é a soma das burradas que se cometeu e descobriu que cometeu". Era assim mesmo, embasado em sua muita experiência ele ia me ensinando a arte da vida e do ministério pastoral. Uma das coisas que estava clara para ele e a transmitia a mim era que não devemos confiar nas promessas que nos fazem. São promessas, na sua maioria, vãs. Feitas em um momento de inspiração que depois não se concretizam. Outra coisa, era a sua tristeza pela precariedade da igreja. Dizia que tínhamos irmãos que se diziam conservadores na doutrina, mas não conservavam nem as paredes do prédio da Igreja que congregavam; irmãos carismáticos, que não tinham carisma nenhum e irmãos progressistas que não progrediam em nada. Hoje, trinta anos depois, parece-me que a história não mudou muito. Fica a tristeza do fato, porém a esperança de que Deus pode mudar essa história, ainda. Por isso, eu oro. Ajuda, Senhor!

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